segunda-feira, 26 de setembro de 2016

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

IR A UM PARQUE PARA VER PEDRAS? PORQUE NÃO?


Costumamos ir a parques a passeio e o que vemos lá? Árvores, mato, lagos, pessoas caminhando, crianças brincando, fazendo piquenique, etc. Então, porque não ir a um parque gratuito, que nunca encontrei cheio, sossegado, onde você pode relaxar, fazer um piquenique, passar um tempo com a família e ainda por cima aprender, ver e tocar um pouco da história do planeta?

O LOCAL

O Parque Geológico do Varvito fica localizado na cidade de Itú, estado de São Paulo. Sim, aquela cidade famosa por ter tudo grande, o que não é verdade, existe sim a Praça Padre Miguel onde tem o orelhão gigante, o semáforo gigante entre outras coisas, e é um bom passeio para após o parque e para comprar lembrancinhas  já que você está bem perto.

O parque do Varvito não cobra ingresso, tem estacionamento na porta gratuito, tem banheiros, bancos, bebedouros, alguns quiosques cobertos, árvores, mato, parquinho infantil e é claro pedras! Muitas pedras, que são a atração principal.

Casais vão ao parque tirar fotos para álbuns de casamento também.

Se você for apenas para ver as pedras o passeio dura aproximadamente meia hora, por isso indiquei fazer um piquenique ou ir passear na praça. Mas afinal, o que tem de especial nesse parque?

Panorâmica do anfiteatro do parque

Localização do parque: 

A ERA DO GELO

Você pode não saber, mas São Paulo já foi coberto por geleiras  no passado. Você pode dizer: "Isso eu já sabia, aprendi na escola". Sim! Mas você talvez não saiba que nesse parque, e em outros, você pode ver, e tocar as provas de que isso ocorreu. Nada de ver em fotos ou filmes, tocar! Por as mãos, sentir o cheiro! Quero ver alguém falar que é mentira depois disso.



POR QUE VARVITO?


"O varvito é uma rocha sedimentar originada durante a glaciação de rios e lagos e sua estrutura é constituída por uma série de varves.
Apresenta camadas alternadas, formando um depósito sedimentar de estratificação rítmica (ritmito), sendo que cada varve corresponde a um ano." https://pt.wikipedia.org/wiki/Varvito

Explicando de outro modo:
As geleiras tem a sua borda, onde elas terminam, e nessa área temos água escorrendo formando poças, lagos e até rios sazonais. No verão e primavera ocorre um derretimento maior e por consequência temos mais água carregando sedimentos, areias e siltes.
Já no inverno e outono ocorre um carregamento de sedimentos em menor quantidade de material orgânico e argila fina, formando camadas mais finas.


Cada camada formada no período de um ano é chamada de "Varve". Camadas mais grossas indicam que naquele ano teve um acúmulo maior de sedimentos.
Notem a espessura da camada em comparação com uma criança de 12 anos (meu filho). Com certeza naquele ano teve muito mais sedimentos do que nos outros.



Foi construído no parque um lago artificial que ajuda a se imaginar o lago que formou o varvito.


ÁGUA CORRENTE ANCESTRAL


As ondulações e inclinações demonstram a presença de água. Ondulações simétricas indicam lago parados, poças. Ondulações assimétricas indicam água corrente e ondas. Quanto mais inclinadas mais rápida a corrente, enquanto o lado mais inclinado indica a direção para onde a água corria.





COISAS INTERESSANTES


Em alguns locais de terra no parque  é possível encontrar camadas de terra parecidas com as camadas de pedra.





A água que se encontra no solo aflora e escorre pelas rochas.


Este local é chamado de cachoeira das lágrimas, pois a água que pinga sem parar faz parecer que a pedra está chorando.


FÓSSEIS?



Já olhamos o varvito de lado, agora, olhando o varvito de cima temos fossilizados na rocha rastros de crustáceos e moluscos na lama, transformados em pedra pela pressão exercida pelas camadas formadas depois.




EVIDÊNCIA DE ICEBERGS

Quando um pedaço da geleira se partia, formava um iceberg que ia flutuando pelo lago que ao derreter depositava pedras, galhos e qualquer coisa que estivesse dentro ou sobre ele na lama. Essas pedras (seixos) eram recobertos por mais camadas e ficavam presos nelas.

À esquerda vemos um seixo entre as camadas.


Mais fotos do parque:






 Na minha opinião é um passeio muito bom, diferente e que vale a pena.

Os funcionários são educados e gostam do que fazem. Dá pra notar que o parque não recebe a verba necessária, e mesmo assim não está destruído ou sujo como outros que vemos por aí. Possivelmente devido ao empenho de seus funcionários que, como todo brasileiro, tira leite de pedra pra fazer as coisas funcionarem.

Já é a terceira vez que vou lá. Fui com a faculdade, depois levei minhas sobrinhas (hoje uma tem até filho) e namorada (hoje minha esposa). Agora levei minha esposa, meu filho e minha mãe. As rochas são as mesmas, pouca coisa muda, possivelmente irei de novo.

Nesse mundo que tudo muda rapidamente acho reconfortante saber que existem alguns lugares onde você pode voltar 17 anos depois e ele ainda estar lá, do jeito que você deixou.

Bom passeio!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

AFIAÇÃO DE FERRAMENTAS - PARTE 2

CORTES PARALELOS AOS VEIOS - PLAINAS

Sabemos por experiência que fazer um corte paralelo aos veios da madeira é mais fácil do que um corte perpendicular porque necessita de menos força. Enquanto no corte perpendicular nosso objetivo é o rompimento controlado, agora temos que nosso objetivo é uma divisão controlada dos veios. O objetivo final é sempre cortar, não dividir, mas a madeira quase sempre não vai cooperar.

A formação das aparas no corte paralelo é bem diferente do que no corte perpendicular. Existe uma tendência das rachaduras correrem pelo veio. Um problema que não existe no corte perpendicular e, por esta razão, deveríamos sempre aplainar "a favor dos veios", isto é, onde o veio está subindo pra fora da face da madeira e sempre se afastando da direção de corte.

Quando se está aplainando a favor dos veios, a madeira se divide na frente da lâmina, mas as divisões ocorrem acima da linha de corte e não causam um problema. A divisão "corre" pela madeira já cortada e até ajudam a formação das aparas (cavacos). A apara sai como uma série de pedacinhos quebrados conforme as fibras são cortadas até que uma rachadura ocorra. 

Veja a figura abaixo:


Figura 1


A rachadura aumenta até que o pedaço fique tão fino que se rompa, ou até a apara subir sobre o contra-ferro (cap iron ou chip breaker) fazendo o pedaço romper bem na boca da abertura da plaina. Este processo é muito fácil e agradável e tudo de que você precisa é manter a lâmina afiada.

Como veios sempre paralelos quase nunca existem no mundo real, nós frequentemente vamos de uma situação de aplainar "a favor do veio" para uma "contra o veio".

Figura 2

Quando aplainamos contra os veios, as fibras "preferem" se dividir longitudinalmente ao invés de se "deixarem" cortar. Então o processo de aplainar contra os veios se torna um processo de controlar as rachaduras que começam no fio da lâmina e "correm" até algum ponto abaixo da linha de corte. O resultado é que a plaina dá algumas travadas e temos um acabamento cheio de buracos. (veja na figura 1 o desenho de baixo)

Se levarmos em conta que uma situação contra os veios é uma variação do corte perpendicular, podemos melhorar o resultado com corte mais finos e enviesando a lâmina.

Figura 3

O contra-ferro também é chamado de "chip breaker" (quebra aparas) por um motivo, ao forçar as aparas a se curvarem logo após o corte ele as "obriga" a se romperem com tamanhos menores. Quanto mais longas as aparas, menos liso será o corte pois aparas maiores se romperão abaixo da linha de corte, causando os buracos.

Os modos de facilitar o corte contra o veio são:

- Manter a lâmina bem afiada
- Manter o contra-ferro próximo ao fio da lâmina (figura 4)
- Fechar a abertura da plaina, para que as aparas sejam menores (Figura 4). Muito difícil para nós pois plainas com abertura ajustável são todas importadas e difíceis de encontrar no Brasil.


Figura 4

Na figura 4, acima, nota-se que ao aproximarmos o contra-ferro do fio e fecharmos a abertura as aparas quebram em tamanhos menores e, por consequência, acima da linha de corte.

Aqui tem um link para o meu vídeo no Youtube sobre afiação de lâmina de plainas.




Mesmo com toda essa informação, na prática, quando estamos aplainando não pensamos em nada disso. 

Sentimos a madeira; escutamos o som característico que um bom corte faz; sentimos os trancos e solavancos que a plaina dá quando os veios mudam o sentido; aspiramos o cheiro de madeira cortada; sentimos o cansaço nos braços e a satisfação que um trabalho de sucesso proporciona.

Essa experiência, apesar de poder ser descrita, só pode ser compreendida por quem já passou por isso.

E é isso que faz todos nós, apaixonados pela marcenaria, voltarmos dia após dia às nossas ferramentas. Sentimentos que só nós entendemos, como um tipo de clube secreto onde só os iniciados sabem seus segredos.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

GUIAS DE AFIAÇÃO (JIG)

As lâminas quando novas vem com um ângulo pré-definido pela fábrica. Esses ângulos podem não serem o que desejamos por diversos motivos. Podemos querer um ângulo menor para facilitar o corte, um ângulo maior para madeiras mais duras, etc.

Você pode se encontrar em uma situação onde sua lâmina pegou um prego e fez um "dente" ou caiu no chão e amassou o fio. Os motivos são vários e por isso saber como refazer o ângulo de sua lâmina pode ser muito libertador.

Não vou entrar em detalhes neste artigo sobre qual o melhor ângulo pois já falei disso antes, mas vou falar sobre os guias de afiação, ou JIGs que podemos utilizar para refazermos o ângulo deo chanfro de nossas lâminas.

Um bom JIG deve ser capaz de permitir que você escolha o ângulo, prenda bem a lâmina, permita que você faça os movimentos necessários a afiação e você seja capaz de  regulá-lo no mesmo ângulo quando for afiar de novo.

Abaixo alguns tipos de JIGs encontrados no mercado (fora do Brasil, infelizmente):





O ajuste do JIG é sempre cheio de dúvidas, mas nada que a boa e velha geometria não resolva. Mas se você não é fâ de matemática, abaixo tem um link para um vídeo em meu canal do Youtube onde mostro dois dos meus métodos de ajustar o JIG.



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

ESCOLHENDO E REGULANDO A PLAINA

ESCOLHENDO SUA PLAINA

No Brasil temos uma falta de opções quando se trata de plainas manuais. Em um mercado que privilegia cada vez mais as máquinas, as boas e velhas plainas manuais vão sendo cada vez mais deixadas de lado.

Atualmente a plaina encontrada que aparenta ser a "menos pior" é a Stanley Global. Mesmo assim, aconselho que você, quando for comprar a sua, a desmonte ali mesmo na loja e verifique se as peças estão inteiras e com encaixe funcionando. Já fui repreendido por funcionários de grandes lojas de ferramentas porque eu havia desmontado a plaina, e ao explicar que estava verificando o estado desta, me contestaram dizendo que não havia necessidade, que eram novas de fábrica, etc.

Até eu mostrar a eles uma plaina onde o frog estava com um PEDAÇO DO METAL FALTANDO!

Não era algo que foi quebrado, era um defeito na forja, literalmente faltou metal para que o frog pudesse ser uma peça completa. 

Se você não vê isso antes da compra, depois só resta chorar.

Aqui tem uma imagem de uma plaina tradicional para que vocês tenham uma noção do que procurar  e qual a aparência das peças:


A plaina da Stanley mencionada não tem o parafuso de ajuste do frog, mas no restante é igual a da imagem.

INICIALIZANDO E REGULANDO SUA PLAINA

Nenhuma plaina vem da fábrica pronta para uso, não importa o que o fabricante diga. Mesmo a intenção do fabricante seja das melhores, diferenças no processo de montagem e fabricação das peças faz com que todas precisem passar por uma inicialização ou personalização, como preferirem.

Como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, fiz um vídeo onde explico como faço a minha personalização preferida.


Se tiverem alguma dúvida, comentário ou apenas quer dizer oi, é só escrever.

Não se esqueça de seguir o blog para não perder nenhum artigo.

Até a próxima!