segunda-feira, 19 de setembro de 2016

IR A UM PARQUE PARA VER PEDRAS? PORQUE NÃO?


Costumamos ir a parques a passeio e o que vemos lá? Árvores, mato, lagos, pessoas caminhando, crianças brincando, fazendo piquenique, etc. Então, porque não ir a um parque gratuito, que nunca encontrei cheio, sossegado, onde você pode relaxar, fazer um piquenique, passar um tempo com a família e ainda por cima aprender, ver e tocar um pouco da história do planeta?

O LOCAL

O Parque Geológico do Varvito fica localizado na cidade de Itú, estado de São Paulo. Sim, aquela cidade famosa por ter tudo grande, o que não é verdade, existe sim a Praça Padre Miguel onde tem o orelhão gigante, o semáforo gigante entre outras coisas, e é um bom passeio para após o parque e para comprar lembrancinhas  já que você está bem perto.

O parque do Varvito não cobra ingresso, tem estacionamento na porta gratuito, tem banheiros, bancos, bebedouros, alguns quiosques cobertos, árvores, mato, parquinho infantil e é claro pedras! Muitas pedras, que são a atração principal.

Casais vão ao parque tirar fotos para álbuns de casamento também.

Se você for apenas para ver as pedras o passeio dura aproximadamente meia hora, por isso indiquei fazer um piquenique ou ir passear na praça. Mas afinal, o que tem de especial nesse parque?

Panorâmica do anfiteatro do parque

Localização do parque: 

A ERA DO GELO

Você pode não saber, mas São Paulo já foi coberto por geleiras  no passado. Você pode dizer: "Isso eu já sabia, aprendi na escola". Sim! Mas você talvez não saiba que nesse parque, e em outros, você pode ver, e tocar as provas de que isso ocorreu. Nada de ver em fotos ou filmes, tocar! Por as mãos, sentir o cheiro! Quero ver alguém falar que é mentira depois disso.



POR QUE VARVITO?


"O varvito é uma rocha sedimentar originada durante a glaciação de rios e lagos e sua estrutura é constituída por uma série de varves.
Apresenta camadas alternadas, formando um depósito sedimentar de estratificação rítmica (ritmito), sendo que cada varve corresponde a um ano." https://pt.wikipedia.org/wiki/Varvito

Explicando de outro modo:
As geleiras tem a sua borda, onde elas terminam, e nessa área temos água escorrendo formando poças, lagos e até rios sazonais. No verão e primavera ocorre um derretimento maior e por consequência temos mais água carregando sedimentos, areias e siltes.
Já no inverno e outono ocorre um carregamento de sedimentos em menor quantidade de material orgânico e argila fina, formando camadas mais finas.


Cada camada formada no período de um ano é chamada de "Varve". Camadas mais grossas indicam que naquele ano teve um acúmulo maior de sedimentos.
Notem a espessura da camada em comparação com uma criança de 12 anos (meu filho). Com certeza naquele ano teve muito mais sedimentos do que nos outros.



Foi construído no parque um lago artificial que ajuda a se imaginar o lago que formou o varvito.


ÁGUA CORRENTE ANCESTRAL


As ondulações e inclinações demonstram a presença de água. Ondulações simétricas indicam lago parados, poças. Ondulações assimétricas indicam água corrente e ondas. Quanto mais inclinadas mais rápida a corrente, enquanto o lado mais inclinado indica a direção para onde a água corria.





COISAS INTERESSANTES


Em alguns locais de terra no parque  é possível encontrar camadas de terra parecidas com as camadas de pedra.





A água que se encontra no solo aflora e escorre pelas rochas.


Este local é chamado de cachoeira das lágrimas, pois a água que pinga sem parar faz parecer que a pedra está chorando.


FÓSSEIS?



Já olhamos o varvito de lado, agora, olhando o varvito de cima temos fossilizados na rocha rastros de crustáceos e moluscos na lama, transformados em pedra pela pressão exercida pelas camadas formadas depois.




EVIDÊNCIA DE ICEBERGS

Quando um pedaço da geleira se partia, formava um iceberg que ia flutuando pelo lago que ao derreter depositava pedras, galhos e qualquer coisa que estivesse dentro ou sobre ele na lama. Essas pedras (seixos) eram recobertos por mais camadas e ficavam presos nelas.

À esquerda vemos um seixo entre as camadas.


Mais fotos do parque:






 Na minha opinião é um passeio muito bom, diferente e que vale a pena.

Os funcionários são educados e gostam do que fazem. Dá pra notar que o parque não recebe a verba necessária, e mesmo assim não está destruído ou sujo como outros que vemos por aí. Possivelmente devido ao empenho de seus funcionários que, como todo brasileiro, tira leite de pedra pra fazer as coisas funcionarem.

Já é a terceira vez que vou lá. Fui com a faculdade, depois levei minhas sobrinhas (hoje uma tem até filho) e namorada (hoje minha esposa). Agora levei minha esposa, meu filho e minha mãe. As rochas são as mesmas, pouca coisa muda, possivelmente irei de novo.

Nesse mundo que tudo muda rapidamente acho reconfortante saber que existem alguns lugares onde você pode voltar 17 anos depois e ele ainda estar lá, do jeito que você deixou.

Bom passeio!

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